(literalmente, "mestiços")
O conceito de “Mischling”, adaptação para o vocabulário nacional-socialista da noção de “mestiço”, pertence à doutrina racial nazi, com a sua complexa estratificação assente numa mística do “sangue”. Nos termos da “Lei da cidadania do Reich”, “Mischling” é aquele que tem ascendentes “arianos” e “judeus”, em diferentes proporções possíveis: apenas com um avô ou avó “não arianos”, será um “Mischling” de 2.º grau (um quarto de judeu), ao passo que, se forem dois os avôs ou avós, será “Mischling” de 1º grau (semijudeu). Pessoas com três avós judeus eram equiparadas a “Volljuden”, isto é, consideradas integralmente judias. Enquanto “não-arianos”, estava vedado aos “Mischlinge” o exercício de numerosas profissões, desde logo, o acesso ao funcionalismo público, bem como, em geral, o acesso ao ensino superior, de cuja frequência foram sendo afastados. De acordo com o censo de Maio de 1939, viviam na Alemanha 72 738 “semijudeus” e 42 811 pessoas catalogadas como sendo “um quarto judeu”.
O tratamento a dar aos “Mischlinge” no contexto da “Solução Final” foi um dos principais tópicos de discussão na Conferência de Wannsee. Os “Mischlinge” não foram obrigados ao uso estigmatizante da estrela de David e escaparam à deportação, embora o seu estatuto precário representasse um perigo permanente. Foram, de início, incorporados no exército, mas os de “1.º grau” seriam definitivamente afastados em outubro de 1942. Em 1944, foram compelidos ao trabalho forçado e internados em campos de trabalho.
O conceito é igualmente relevante para a perseguição aos ciganos (sinti e roma), servindo para os catalogar genericamente, em preparação da deportação e do extermínio de que foram vítimas.
Referências
Meyer, Beate (1999), “Jüdische Mischlinge”. Rassenpolitik und Verfolgungserfahrung 1933-1945. München / Hamburg: Dolling und Galitz.