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Buchenwald

Situado nos arredores da cidade de Weimar, o campo de concentração de Buchenwald foi estabelecido em julho de 1937. Após concluída a sua construção, com a mobilização da força de trabalho dos prisioneiros, consistia em três partes, a maior das quais (um segundo setor do campo albergava os edifícios destinados a situações de quarentena, enquanto um terceiro compreendia as instalações da administração, de habitação dos guardas SS, etc.) se destinou, de início, a prisioneiros políticos, testemunhas de Jeová, prisioneiros condenados por crimes e só em casos isolados, prisioneiros judeus. O número destes, cujas condições de vida e de trabalho eram significativamente piores, cresceu nos anos seguintes, tendo o campo recebido alguns milhares de judeus deportados do campo de Dachau. Na sequência da “Noite de Cristal”, 9828 judeus foram deportados para Buchenwald, a maioria dos quais, no entanto, viriam a ser libertados na condição de deixarem a Alemanha e concordarem com a “arianização” dos seus bens. Após setembro/outubro de 1939, intensificou-se o afluxo, nomeadamente, de judeus polacos. Como muitos outros campos, também Buchenwald abrangia os chamados “Außenkommandos”, isto é, fábricas e outros locais de trabalho exteriores ao campo, sobretudo ligados à indústria de guerra, que utilizavam o trabalho forçado fornecido pelo campo.

A hierarquia interna dos prisioneiros começou por ser dominada por “Kapos” condenados por crimes; a breve trecho, porém, os prisoneiros políticos, em grande parte ligados ao Partido Comunista Alemão e fortemente organizados, conseguiram o controlo gradual de posições-chave, articulando uma rede de resistência que desempenhou um importante papel no auxílio à sobrevivência de muitos prisioneiros, incluindo crianças, e, por fim, na libertação do próprio campo, que, com a aproximação do exército norte-americano, se tornaria efetiva em 11 de abril de 1945. Nos dias anteriores, cerca de 38 000 prisioneiros tinham sido forçados a abandonar o campo nas chamadas “marchas da morte”, em direção a campos mais a ocidente, como Dachau. Muitos milhares (calcula-se entre 12 000 e 15 000) não sobreviveram.

Não sendo um campo de extermínio, o índice de mortalidade em Buchenwald era extremamente elevado: muitos prisioneiros foram sujeitos a experiências médicas fatais, prisioneiros doentes eram regularmente eliminados, vários milhares de prisioneiros de guerra soviéticos foram sumariamente assassinados e, em outubro de 1942, quase todos os prisioneiros judaicos foram deportados para Auschwitz. Calcula-se que, dos cerca de 240 000 prisioneiros internados em Buchenwald, no mínimo 50 000 tenham perecido.

 

Referências
     Hackett, David A. (1997), The Buchenwald Report. Boulder: Westview Press.

     Neurath, Paul Martin (2005), The Society of Terror. Inside the Dachau and Buchenwald Concentration Camps. Routledge.
     Rapson, Jessica (2015), Topographies of Suffering: Buchenwald, Babi Yar, Lidice. New York/Oxford: Berghahn.
     Semprun, Jorge (1995), A Escrita ou a Vida. Porto. Edições ASA.
     Werber, Jack; William B. Helmreich (2014), Saving Children. Diary of a Buchenwald Survivor and Rescuer. New Brunswick: Transaction Publishers.